quinta-feira, 9 de junho de 2005

A História da Praça Central - Por Bérgson Frota / Fortaleza

Ipueiras como muitas das atuais cidades cearenses da zona norte do Estado tornou-se município no final do século XIX, no caso da terra de Luzia-Homem, em 1883.

O progresso era lento, mas na área intelectual os primeiros habitantes do município destacavam-se. Na capital Hugo Catunda Fontenelle foi um dos filhos mais ilustres da terra, quando ainda era adolescente morando em Ipueiras publicou em 1916 o primeiro jornal do município de que se tem notícia, "O Sertão".


Em 1933 Ipueiras completava 50 anos de municipalidade, Hugo Catunda, que já morava em Fortaleza, convenceu o então prefeito da época Sr. Luiz Moreira de Carvalho a construir uma praça (imagem acima) e nela colocar um obelisco para representar a data deste importante evento, naquela época o local era um campo aberto com algumas carnaúbas. O prefeito foi acessível e a praça foi feita, derrubaram-se as carnaúbas e plantaram pés-de-figos para ornamentar a obra, no centro um obelisco foi construído, de cor branca e com filetes de azul celeste nas passagens de cada forma. No monumento uma placa indicava que o mesmo fora construído em comemoração aos 50 anos da cidade.


Esta praça como foi construída permaneceu inalterada até meados da década de 40, quando então "vândalos mirins" da própria cidade amarraram uma corda e derrubaram o monumento, decidiu-se então por ser um período posterior à Segunda Guerra homenagear o grande presidente Getúlio Vargas e sobre o lugar do obelisco foi erguido um busto (imagem acima, à esquerda) do mesmo. Algumas características foram mantidas, entre elas uns bancos da praça primeira. O Obelisco ficou somente em fotos raras.

Na década de 70 fez-se uma nova praça, com jardins altos e no centro uma fonte, no meio em cima de duas paredes paralelas feito colunas o busto de Getúlio Vargas, assim ficando até metade da década de 80 quando novamente sofreu modificação.

A praça que ainda tinha o nome de Getúlio Vargas sobreviveu ao início do século XXI, mas sofreu uma mudança drástica, o monumento ao ex-presidente foi transferido para um dos lados da mesma e no centro foi construído um quiosque, finalmente quando um caminhão enroscou por engano um cabo de aço e derrubou o busto este não mais foi posto no lugar e desta forma foi esquecido.

Dois ou três anos depois a praça passou a chamar-se Maria Lima (fotos abaixo - 2005), nome pelo qual é atualmente conhecida.


A preservação da memória de uma cidade passa antes de tudo por uma conscientização de que cada monumento guarda um pedaço da história do município, portanto deve ser conservado mantendo as características originais da época em que foi feito, só assim se garante para as futuras gerações o legado deixado por seus antepassados.


Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha - Fortaleza.

As fotos da antiga praça Getúlio Vargas pertencem ao acervo pessoal de Edson Morais.

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