domingo, 8 de maio de 2005

Visão Severina - Por Marcondes Rosa de Sousa / Fortaleza

Severino! O nome nos faz descer ao "severo", em sua raiz. E, dele, o poeta João Cabral de Melo Neto fez adjetivo, ao caracterizar, como "severina", a "morte e vida" dos nordestinos. Agora, porém, o termo nos invade a crônica política. E, desta feita, a nos chocar a intelligentzia nacional, com o atraso, o nepotismo e o fisiologismo, em surto expressivo do "baixo clero", sob a reerguida bandeira do clientelismo político.

Esta, a impressão de início. Aos poucos, porém, notamos que os temíveis tentáculos fisiológicos sobre a coisa pública talvez nem sejam a tônica maior. Ao contrário, Severino, rico ao entrar na política, hoje se diz alguém que sofreu um processo de "empobrecimento ilícito"... O que pretende é mudar o discurso político, hoje cheio de enganosos rodeios, tornando-o transparente, curto e grosso, sob o tom do "pão, pão; queijo, queijo", "o legislativo não é supositório do executivo" e "o presidente não pode ser bezerro dos que o encurralam, não o deixando governar".

No fundo, o recado maior e direto de Severino: o povo quer carinho e portas abertas. De alguma forma, um contraponto aos partidos que se opuseram, em extremo, ao clientelismo. Sobretudo os que, no dizer de Brizola, herdaram o moralismo estreito da antiga UDN: a "de tamancos" (o PT) e a "de salto alto" (o PSDB), montados em suas arrogâncias, esquecidos do povo.

Dos sertões nordestinos às altas rodas do PIB paulista, Severino vem sendo abraçado por todos. Nas ruas, todos lhe têm atenção e carinho. Justo o que reclama da atual administração, de ministros indiferentes e presidente sem as rédeas de seu próprio governo. *PC*

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).

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