terça-feira, 24 de maio de 2005

A Sabiá da Mata - Por Dalinha Aragão


Era uma vez uma sabiá que vivia alegre a cantar.

Saltava de galho em galho. Pulava de árvore em árvore saracoteando pela floresta.

Comia frutas colhidas no pé, sementes e pequenos insetos. Quando queria beber, escolhia os mais belos lugares: uma fonte deslumbrante, um rio de águas cristalinas ou até mesmo uma pequena cacimba de água fresca e saborosa.

Em qualquer desses lugares, ela mergulhava a cabecinha, enchia o bico, e olhava para o céu, como se estivesse agradecendo a Deus a beleza de desfrutar daquela natureza abençoada.

Seu lar era a floresta.

Dormia no aconchego da copa das árvores, e lá também fazia o ninho onde ia pôr os ovinhos que em pouco tempo se transformariam em filhotes.

Nada como a liberdade dos pássaros. A mãe alimenta e cuida dos filhotes até que eles aprendam a voar, se alimentar e se defender sozinhos. A partir daí, cada pássaro é dono do seu próprio destino.

E assim a alegre sabiá prosseguia sua jornada, cantando e tendo suas ninhadas.

Certo dia, o inocente pássaro, que não desconfiava das maldades do mundo, caiu numa arapuca.

Numa pequena bacia de vidro transparente, coloridos pedaços de fruta prendiam-lhe a atenção.

A pobre ave, hipnotizada pelo reflexo do Sol no vidro, com as cores da salada saltando-lhe aos olhos, e ainda por cima o cheiro gostoso que o ar espalhava, não pensou duas vezes: mergulhou de cabeça naquela janela aberta, sem se dar conta de que ali estava uma gaiola em forma de alçapão.

Pobre sabiá!

Agora, ela tinha dono, gaiola de ouro, água e comida farta.

Mas, perdera seu bem mais precioso: A liberdade!

Perdendo a liberdade, perdeu a voz.

Sem serventia na casa, o dono pensou: "De que me serve um pássaro mudo?" E soltou a infeliz.

Daquele dia em diante, a sabiá, que ganhara uma nova chance de ser livre e feliz, aprendeu que nem sempre o que nos encanta os olhos é sinônimo de alegria e felicidade.

Publicado no caderno DN Infantil do jornal Diário do Nordeste, de Fortaleza.

Dalinha Aragão é natural de Ipueiras, Ceará.

(030)

Postagem anterior
Próximo Post

Postado por:

0 comentários:

As opiniões expressas aqui não reflete a opinião do Blog Primeira Coluna.