segunda-feira, 9 de maio de 2005

Central do Brasil: 150 anos - Por Milton de Medonça Teixeira / Rio de Janeiro


Onde hoje se encontra o edifício da Central do Brasil (foto acima) era, no ano de 1753, o local onde foi fundada a Igreja de Santana. Suas festas eram concorridas e para ela afluíam multidões nos dias comemorativos da santa.

Um século depois, em 1854, demoliu-se o templo para ali se levantar a primeira estação de estrada de ferro urbana do Brasil. A empresa responsável por esta obra foi a Companhia Estrada de Ferro D. Pedro II, cuja primeira diretoria era composta pelo Vereador Jorge Haddock Lobo, Comendador Jerônimo José Teixeira, Alexandre Siqueira e Cristiano Benedito Ottoni, engenheiro ilustre e responsável por esta ferrovia.

A primeira via férrea do Rio de Janeiro teve sua origem na Lei nº 641, de 26 de junho de 1852, que autorizou o Governo Imperial a "conceder a uma ou mais companhias a construção total ou parcial de um caminho de ferro que, partindo da Côrte, vá terminar nos pontos das Províncias de Minas Gerais e São Paulo que mais convenientes forem".


Criada em 9 de maio de 1855, sob a denominação de Estrada de Ferro D. Pedro II, e Central do Brasil desde o advento da República, são, no entanto, ambos os nomes usados indistintamente até hoje. O prédio da estação ferroviária foi inaugurado pelo Imperador D. Pedro II em 28 de março de 1858, e dali partiu uma estrada de ferro com 48 quilômetros, estendendo-se até a estação de Queimados. Com essa iniciativa, igualmente inaugurou-se o crescimento da cidade em direção à zona norte, com a criação de diversas estações, em torno das quais iriam surgir pequenos agrupamentos de casas, que hoje constituem os numerosos e populosos subúrbios da mesma.

Assim foi que, juntamente com a Estação D. Pedro II, surgiram no mesmo ano as de São Cristóvão, Cascadura e Deodoro, seguidas das do Engenho Novo (que era uma simples parada) e São Francisco Xavier, em 1861; Todos os Santos, em 1868; Engenho de Dentro, em 1871; Cancela (hoje Piedade), em 1873; Sampaio, Derby Club (hoje Maracanã) e Rocha, em 1885; Quintino, em 1886; Encantado, Méier e Mangueira, em 1889; e, finalmente, Marechal Hermes, em 1908.


O prédio antigo da Estação D. Pedro II era um sobrado baixo, sendo extensamente reformado até 1937, quando se decidiu construir novo prédio. O projeto da atual estação foi escolhido em concurso fechado, sendo vencedor o que foi elaborado em estilo art-déco pelo arquiteto Roberto Magno de Carvalho.


Quando foram construí-lo, verificaram que o mesmo não se encaixava no terreno proposto. Tendo falecido o arquiteto Carvalho, adaptou o projeto ao sítio proposto o arquiteto austríaco Adalberto Szilard, que modificou muito internamente a estação, sem sacrificar o aspecto externo.

Conforme foi sendo construída, demolia-se a antiga, até a inauguração pelo Presidente Getúlio Vargas em 1941. Sua torre ostenta o que foi considerado à época o maior relógio de quatro faces do mundo. *PC*

(022)

Postagem anterior
Próximo Post

Postado por:

0 comentários:

As opiniões expressas aqui não reflete a opinião do Blog Primeira Coluna.